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February 14, 2012

Resposta a Tozé Brito #pl118

Caro Tozé Brito,

Li com atenção a missiva que escreveu ao Miguel, mas encontrei alguns pontos pouco rigorosos. Como tenho de colocar a hipótese de haver aqui algum desconhecimento, decidi escrever um post que listasse esses mesmos pontos.

O primeiro problema do seu texto está logo no segundo parágrafo: é que comprar um CD e comprar a música em formato digital – ou, já agora, qualquer obra em formato digital – não é a mesma coisa.

Quando eu compro uma obra em formato digital (sem suporte físico – mp3, epub, pdf, etc) assino um contrato com quem me vende a obra, que me autoriza a usar a obra num número de dispositivos diferentes. E pago para isso.

No que caso que refere, sempre que compro uma obra na iTunes Store assino um contrato que me autoriza a usar a obra no iPod, no iPhone, no iPad, no Mac, no PC e até, imagine-se, a colocar a biblioteca do iTunes num CD. Isto não são cópias privadas, mas sim cópias autorizadas porque eu tenho uma autorização de quem me vendeu a obra, que por sua vez tem uma autorização dos titulares dos direitos.

Se o Tozé Brito tem um problema com isto e prefere que a compra das suas obras em formato digital não contenha uma autorização para serem usadas em diferentes dispositivos, mas apenas naquele em que são compradas, então tem de resolver este problema com a Apple ou com a distribuidora que estiver em questão.

Assim, aquando do contrato que faz com a distribuidora tem de dizer que não quer que essa distribuidora autorize os seus clientes a usarem as suas obras noutros dispositivos que não naquele na qual a compraram. Para além disto, tem ainda de assegurar que as suas obras não são vendidas com DRM (protecções anti-cópia).

Porque só nestas condições é que o Tozé Brito terá razão em pedir uma compensação por conta da cópia privada das suas obras. É que para fazer uma cópia privada, eu não preciso da autorização do autor. Mas se tiver a priori autorização do autor, então essa cópia já não é uma cópia privada. É uma cópia que me foi autorizada pelos titulares dos direitos em troca de um pagamento que fiz.

O Tozé Brito refere ainda “a justeza no quantificar da compensação” pelo prejuízo que a cópia privada pode trazer aos titulares dos direitos. E este é um dos grandes problemas: para haver uma compensação, tem de haver um prejuízo e essa compensação tem de estar directamente relacionada com esse prejuízo.

Ora, os titulares dos direitos não só nunca quantificaram qual é o prejuízo que têm com a cópia privada – nem mesmo um valor aproximado -, como nunca demonstraram sequer que existe um prejuízo significativo.

Mas podemos fazer um exercício e convido o Tozé a fazê-lo também: fazemos cópias privadas de que obras digitais?

A maior parte das obras digitais tem DRM pelo que o cidadão não pode fazer cópias privadas dessas obras, logo os titulares dos direitos não têm prejuízo.

As cópias das obras vendidas em formato digital são cópias que os titulares dos direitos autorizaram, logo também não são cópias privadas, como demonstrei acima.

Resta um pequeno conjunto de obras digitais que são vendidas em suporte físico sem DRM. E a grande maioria destas são os CD de música. Mas será que uma cópia privada de um CD é um prejuízo para os titulares dos direitos?

O Tozé Brito acredita mesmo que se os cidadãos não pudessem fazer cópias privadas dos CD continuariam a comprá-los? Com a cada vez maior facilidade de comprar música em formato digital que já inclui autorização para usar em diferentes dispositivos?

Não nos esqueçamos que os titulares dos direitos já usaram DRM nos CD. Certamente não desistiram de o fazer por lhes ser benéfico…

Assim, se os autores tiverem direito a uma compensação equitativa por conta da cópia privada, então primeiro há que demonstrar o prejuízo que têm e depois calcular aproximadamente esse prejuízo. E só depois disto poderemos então discutir a existência e o valor da compensação.

Por último, parece-me poder concluir que o Tozé Brito defende, assim como a lei, que é ao autor que assiste o direito de autorizar ou não o uso, a fruição e reprodução das suas obras por terceiros. E certamente concordará comigo se lhe disser que uma lei que proíbe o autor de fazer algo com a sua obra não é no interesse do autor.

Pelo que muito surpreendida fico por o Tozé defender este Projecto de Lei, que no seu artigo 5º, proíbe o autor de decidir sobre a sua obra.

Mais surpreendida fico ao ler a última frase do penúltimo parágrafo do seu texto. Caro Tozé, os autores que usam licenças Creative Commons, que têm enquadramento jurídico em Portugal desde 2006, nunca, mas nunca negaram aos autores, digamos, tradicionais, que fossem pagos pelo seu trabalho.

Mas o Tozé Brito defende um Projecto de Lei que pretende negar aos autores decidir sobre a sua própria obra e pretende negar especificamente aos autores que usam Creative Commons a possibilidade de darem o seu trabalho de forma gratuita.

Existem três razões principais que levam um autor a escolher uma licença Creative Commons, ou qualquer outra licença copyleft, para as suas obras:

  1. O princípio moral de que a cultura e o conhecimento (não nos podemos esquecer que os investigadores são também autores) devem estar acessíveis ao maior número de pessoas, mesmo daquelas que não têm dinheiro;
  2. Para aumentarem a sua visibilidade e serem conhecidos por pessoas que de outra forma nunca ouviriam falar desses autores;
  3. Para aumentarem as vendas das suas obras físicas e merchandise associada a essas obras.

Mas estas razões só atingem os fins apontados se os cidadãos puderem partilhar e copiarem as obras gratuitamente, tal como o autor deseja. No entanto, este projecto de lei vem negar isso, sobrepondo-se à vontade dos autores e destruindo os seus modelos de negócio, quando obriga, no artigo 5º, os cidadãos a pagarem uma compensação que os autores não querem.

Mais: compensação que não querem e à qual não têm direito. Quando um cidadão copia e partilha uma obra com uma licença Creative Commons está a fazer aquilo que o autor pediu. E se o autor pediu, então não está a ser prejudicado. E se não tem prejuízo, não tem direito a uma compensação.

O Tozé Brito acha justa uma lei que o proíbe de explorar a sua obra como bem entende?

Os autores deste projecto de lei justificam este artigo com a existência de abusos por parte de editores e produtores aos autores. E esse é um problema que tem de ser resolvido. Mas nunca através de uma lei que proíbe e restringe a vítima em vez de regular e restringir quem pode cometer o abuso.

Certa de que compreenderá agora a razoabilidade de quem critica o projecto de lei em questão,

Paula Simoes


Uma grande editora, uma editora não muito grande e uma autora de 93 anos

A autora do livro “Julie of the Wolves” assinou um contrato com a HarperCollins em 1971. Nos dias de hoje, com 93 anos, esta autora decidiu assinar um contrato com a Open Road Media para publicar esse livro no formato ebook.
A HarperCollins colocou um processo por “copyright infringement” à Open Road Media, pelo que terá de provar que em 1971, aquando da assinatura do contrato, tanto a HarperCollins como a autora consideravam a existência de ebooks ou algo similar.

Aos 93 anos, esta autora vê-se envolvida num processo de tribunal, só porque decidiu publicar o seu livro no formato ebook.

Posts sobre isto (em Inglês):

HarperCollins vs. Open Road Media – Oddities and Queries

Tortured Language – Discerning Ebook Rights in Ancient Publishing Contracts

Por aqui já estávamos a boicotar a HarperCollins de qualquer maneira.


February 11, 2012

My top 10 of books read in 2011

Unlike with music, and unfortunately, my "books consumption" isn't that high in the last few years, and 2011 was terrible in that aspect: I only read 35 books in the whole year. So, instead of doing a "Top ten of 2011 books" like I did for music, I'm doing a "top 10 of books I've read in 2011".

Take notice that this list has no particular order.

Iain M. Banks is an awesome writer, even if I've (still?) never read anything from him apart from The Culture novel series. In 2011 I "ended" the series: I've read Look To Windward (2000), Matter (2008) and Surface Detail (2010), and all those three novels ended up on this top 10. Let me explain what's this "The Culture" series: "The Culture" is the name of a (fictional) technology-advanced alien civilization, but the books are more political or philosophical than what you would expect from "SciFi with aliens". That's right, my kind of SciFi. The Culture is an anarchic socialist utopian civilization, but, while "utopian" is on their description, the fact is that nothing is perfect and they're sometimes confronted with big dilemmas - and sometimes they make mistakes. On "Look To Windward", someone wants to get revenge from The Culture from a mistake they did 800 years before. One thing that quite teased my mind on this one was the whole concept of the Sublimed having created a Heaven. "Matter" is quite different from the rest of The Culture novels (and the first to need a glossary), because it "zooms out" for the reader, and describes other cultures and civilizations, how they get together and co-exist on the Universe. That would be mind-exercising enough for a good read, but the hints on the relations between groups with levels of power of different magnitudes also gives many food-for-thought. Finally "Surface Detail", which is probably one of the most interesting novels from the series, and that kind of picks up the theme hinted by the Sublimed Heaven from two books ago (well, and the virtual approaches from Matter), and takes it into a cross of ideas from virtual worlds and concepts of Heaven and Hell. I just hope he doesn't leave this theme as "written", and a thematic sequel appears. But, most importantly, I really hope Banks releases another Culture novel soon - I'm already anxious to have more.

Still on SciFi, but now entering the Cyberpunk field, Charles Stoss's "Rule 34", a sequel (you don't have to read the previous to understand this one) to "Halting State", actually creating an "Halting State Series". This is not only a good book, it is a book that made me create my first entry on 2014's wish list: "The Lambda Functionary", its sequel, is planned to be released by then. What is Rule 34 about? Well, it has porn (obvious by the title), it has spam and Nigerian scams, it has bugs, it has AIs, it has surveillance and everything a world with SOPA's and ACTA's will end up having - including all the aspects related with the fact that no law enforcement can shut the network down or control it. A must-read (the series, in fact) for those interested on where are we walking towards in this matters.

Talking about Cyberpunk, and obviously, I couldn't miss Neal Stephenson's REAMDE. If you know me, you know that, on my scale, Neal Stephenson is the best writer EVER. REAMDE is a very fine book - and probably the most easy-reading of them all - but it didn't stop from being a... kind of... disappoint me. No, wait, listen carefully: the book is great. Thing is, you expect always the unexpected from the best. Every Neal Stephenson's book was mind blowing to me - you read each of those books and they actually and visibly change you. With REAMDE that will happen to a lot of readers, but being an "sort of easy reading book", you'll have lots of action and cool turning-page stuff, but, specially if you've read the rest of Stephenson, there's not very much new stuff to make you think... it's probably not a book that changed me, like the others before it.

And, to end up SciFi and Cyberpunk, but on quite a different form, "Piracy Is Liberation - Deicide". There are only three series of comics, and "Piracy Is Liberation" is one of them. Piracy Is Liberation is a dystopia, sometime in the future, where people live in "the city" and capitalism is the mandatory religion. Instead of explaining it to you, I'll point you to the torrent for the first book (Deicide is number 9) - uploaded and spreaded by the author himself.

OK, so what's next? Non-fiction. I'll start with an author very well known by it's fiction: Agatha Christie, and her best work in my opinion, which is non-fiction and it is delicious: Come, Tell Me How You Live. The title is the question that this book answers: Agatha Christie not only wrote quite some novels in archaeological settings, but she was also married to Max Mallowan (a prominent archeologist) and worked with him. So, when she got back into England, people used to ask her about her life there, and instead of just telling and retelling, she ended up writing this novel about her stories in Syria - and this is an autobiographical and very very very funny book.

Talking about Syria nowadays I can only think about the most recent events there, and from that thought the mind travels to Egypt. And it is about Egypt's recent events that the next book I have on this list talks about: Alexandra Lucas Coelho's "Tahrir - Os Dias Da Revolução. Here's the short review I wrote soon after I ended reading it: "An emotive short report of what the Tahrir revolution was all about. A book everyone should read - really. I won't be surprised to see this translated into English in the near future - and I really hope so too, because no one should be kept from reading it."

The last two books from this top 10 are... books about books. Living with thousands books (wife's a collector) and being a collector myself (but of music), this two books were really exciting, and Paula heard me saying more than once, while I was reading each of them, "too bad there aren't books like this about music". "Used and Rare: Travels in the Book World" tells the (real) story of a couple that started to find interest in books, and how they suddenly found themselves in the amazing world of book collectors - ending up with more than one or two rare books in their own collection. Phantoms on the Bookshelves was written by a collector - a big collector, that is (with more than 40.000 books) - and it is more introspective, a book where Bonnet reflects on what it is to be a book collector, how to be a book collector, what are the perils of being a book collector, and... well, a book that every collector (of books or something else) will probably empathise with ;-)

There, here it is my top 10 of books I've read in 2011. Let's hope I'll find the time to read more in 2012...

February 04, 2012

Estado do Utah irá criar manuais escolares abertos

No dia 25 de Janeiro de 2012 foi anunciado pelo gabinete para a Educação do Estado do Utah nos Estados Unidos o apoio e a criação de manuais escolares abertos em áreas chave das artes e das ciências.

Do comunicado de imprensa destaca-se o seguinte parágrafo, onde se refere o sucesso de projetos-piloto anteriores que reduziram o custo médio por livro $80 para $5 dólares US.

"Open textbooks are textbooks written and synthesized by experts, vetted by peers, and made available online for free access, downloading, and use by anyone. Open textbooks can also be printed through print-on-demand or other printing services for settings in which online use is impossible or impractical. In earlier pilot programs, open textbooks have been printed and provided to more than 3,800 Utah high school science students at a cost of about $5 per book, compared to an average cost of about $80 for a typical high school science textbook." (citação do comunicado de imprensa)

Notícias: 

January 25, 2012

É Um Jogo? (Carta ao Adolfo Luxúria Canibal, sobre #PL118 )

[ACTUALIZADO:] Escrevi esta carta para enviar ao Adolfo Luxúria Canibal. Infelizmente o endereço de e-mail público que ele tem não está em funcionamento, e não encontro outra forma se conseguir contactar com ele. Assim sendo, agradeço aos leitores que, se souberem como, façam chegar este meu pequeno texto ao Adolfo. Obrigado. Felizmente a Internet é minha amiga, e disseram-me como conseguir entrar em contacto. A resposta encontra-se republicada nos comentários deste artigo.
Subject: É Um Jogo?

Caro Adolfo,

O Adolfo não me conhece apesar de já nos termos cruzado, mas eu sinto conhecê-lo mais ou menos. Afinal, eu era ainda uma criança quando o primeiro LP de Mão Morta rodou pelo gira-discos lá de casa, e continuo a contar com o "Há Já Muito Tempo Que Nesta Latrina O Ar Se Tornou Irrespirável" como um dos grandes discos que tenho na minha colecção. É, aliás, da minha experiência pessoal com esse album que lhe venho aqui falar.

Quando o "Latrina" (como eu o costumo chamar) saiu, era eu um estudante do ensino secundário, mas não foi com o CD que comprei que eu vivi o album. Como qualquer jovem da altura, a minha vida naquela altura não era "na sala de casa", onde estava a aparelhagem com leitor de CDs: era na rua ou no quarto. Não foi por isso que o album deixou de me acompanhar: munido com uma moeda de 100 escudos, da qual tive direito a troco, comprei uma cassette audio virgem e gravei o album para a Cassette. Findo o ritual, a referida cassette passeou comigo, do quarto para o walkman e do walkman para o quarto, enquanto eu decorava e cantava, cada frase do album, cada som, cada ritmo. Um ano mais tarde mudei de cidade e fui para a faculdade: a cassette comigo, o CD ficou na prateleira. Afinal as primeiras palavras do album são "Music Is Free", e - desenquadrando essas três palavras do seu contexto - eu era livre com a música que ali tinha, livre de poder andar pelas ruas enquanto a ouvia, livre do "sector dos lazeres" e do "mercado do entretenimento", e "infiltrava-me noutros sectores da nossa democracia" com auriculares nos ouvidos. Não me vou alongar muito mais, mas posso-lhe dizer com toda a verdade que o CD continua na minha terra natal, mas a cassette, essa, já "gasta" de tanto ouvida, tem o nome das músicas "em branco", onde antes se via tinta azul de uma caneta BIC, e é a cassette que ainda rola, por vezes, na minha actual casa, mais de uma década depois.

Hoje dizem-me que, ao ter assim apreciado a vossa arte, vos causei um prejuízo. Dizem-me também que da próxima vez que comprar um computador, e outra vez quando comprar um disco rígido, e outra vez quando comprar um telemóvel, e outra vez quando comprar um cartão de memória para a minha máquina fotográfica, terei de lhe pagar uma taxa, um valor que tenho de pagar caso contrário o Adolfo sofrerá "graves prejuízos", e que tenho de pagar essa taxa porque há a possibilidade de, eventualmente, um dia quando estiver a visitar a casa onde cresci me lembre de pegar no CD e fazer uma cópia dele para o computador, para o telemóvel, para o disco externo ou - imagine-se! - para o cartão da minha máquina fotográfica. Pode acontecer que eu eventualmente queira fazer uma ou mais do que uma dessas coisas, e aproveitar isso para voltar a ouvir com regularidade esse disco, e eventualmente voltar a interessar-me pela sua arte ao ponto de conprar outro disco de Mão Morta. Dizem que é um risco, e que "pelo sim pelo não" tenho de pagar. Quem me diz isto? Quem é que diz que o Adolfo vai sofrer "graves prejuízos" se eu não tiver de pagar mais (nalguns casos muito mais) pela tecnologia que compro? É o próprio Adolfo, segundo diz o sítio web da Sociedade Portuguesa de Autores.

Hoje em dia eu também sou autor - e músico. Talvez o Adolfo tenha sido um pouco uma influência para que isso tenha acontecido. Mas eu - autor, músico - não me sinto prejudicado cada vez que alguém compra um telemóvel e não me dá dinheiro por isso. Não entendo porque é que terei de gastar mais dinheiro com tecnologia - incluindo a que uso para fazer música - em vez de poder usar esse dinheiro para, por exemplo, sustentar o meu "vício" de coleccionador de música. Mas o Adolfo deixa bem claro com a sua assinatura: o Adolfo sofre "graves prejuízos". Eu até penso ter entendido bem algumas coisas que o Adolfo diz, por exemplo quando fala n'"As Tetas Da Alienação". Mas não consigo entender como é que o Adolfo será "gravemente prejudicado" com a não aprovação de um Projecto de Lei que eu sinto ser injusto. Tão injusto que, pela primeira vez, me dirijo a si, para lhe fazer uma pergunta:

Pode, por favor, explicar-me de que forma é que o Adolfo é "gravemente prejudicado" por eu não pagar uma taxa extra cada vez que compro tecnologia? Pode, por favor, explicar-me de que forma é que o prejudiquei quando usufrui o seu album "Latrina", gravando-o para cassette para o ouvir e ouvir e ouvir, e espalhei aos quatro ventos "vocês têm de comprar este album!"?

Sentindo verdadeiramente que isto "É Um Jogo", mas ainda assim na esperança de receber uma resposta a este meu e-mail,
Com os mais respeitosos cumprimentos,
--
Marcos Marado

January 10, 2012

PESS RELEASE ANSOL: Ministério da Saúde devia utilizar mais Software Livre

Lisboa, 10 de Janeiro de 2012: A Associação a nacional para o recomenda ao Ministério da Saúde maior utilização de , e em particular dar mais atenção a projetos como Debian Med, como forma de evitar desperdiçar milhões de euros em licenciamento Microsoft.

“Os exemplos sucedem-se uns atrás dos outros, e a notícia recente de que o Ministério da Saúde deve milhões à Microsoft não chega como nenhuma surpresa face às dificuldades que têm em pagar medicamentos”, diz Rui Seabra, presidente da Direção da ANSOL, acrescentando ainda que “Se utilizarem Software Livre reduzem dramaticamente a despesa em licenciamento de software podendo deslocar esses recursos financeiros para aquilo que mais importa: a devida assistência média.”

Da página do projeto, Debian Med é um projeto da distribuição comunitária GNU/Linux orientado a dar apoio à contendo pacotes de software livre relacionados com a prática, investigação pré-clínica e ciências da vida, sobretudo na prática médica, imagiologia e bioinformática.

A utilização de Software Livre permite ainda substituir trivialmente a maioria dos postos de trabalho de funcionários hospitalares devido à facilidade de utilização das distribuições modernas de GNU/Linux, sobretudo em ambientes onde existem equipas informáticas para gerir os sistemas e prestar suporte e manutenção como é o caso normal em entidades coletivas.

CONTACTOS

ANSOL Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar – http://ansol.org/contacto

Rui Seabra Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar – Presidente da Direção, Tel. 93 32-55-619

SOBRE A ANSOL

A Associação Nacional para o Software Livre é uma associação portuguesa sem fins lucrativos que tem como fim a divulgação, promoção, desenvolvimento, investigação e estudo da Informática Livre e das suas
repercussões sociais, políticas, filosóficas, culturais, técnicas e científicas.

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January 08, 2012

Configurar RAID1 num sistema em execução

Parte-se de um setup inicial em que os dados estão todos em /dev/sda. Pretende-se tê-los duplicados tanto em /dev/sda como em /dev/sdb. Para isso, é criado um array RAID1, /dev/md0.

Como de costume, esta é só uma checklist rápida e não pretende ser um HOWTO. Para um HOWTO decente, recomendo a consulta do link em baixo, nas referências.

  1. Criar a partição de suporte para o array em /dev/sdb: # fdisk /dev/sdb. Torná-lo num "Linux raid autodetect", atribuindo-lhe a flag fd.

  2. # mdadm --create /dev/md0 --level=1 --raid-disks=2 missing /dev/sdb1.

  3. Formatar o array com um sistema de ficheiros. P.ex.: # mkfs.ext4 /dev/md0.

  4. Configurar o mdadm, o fstab e o GRUB.

  5. Copiar os dados para o array. P.ex.: # cp -dpRx / /mnt/md0.

  6. Instalar o GRUB: # grub-install --recheck /dev/sda ; grub-install --recheck /dev/sdb.

  7. Reiniciar o computador. Neste momento há um RAID só com um disco e o disco original ainda com os dados antigos.

  8. Reformatar o /dev/sda, à semelhança do que foi feito com o /dev/sdb no ponto 1.

  9. # mdadm --add /dev/md0 /dev/sda1.

  10. Actualizar ficheiros de configuração do mdadm e GRUB.

  11. # update-grub ; grub-install /dev/sda; grub-install /dev/sdb.

  12. Reiniciar o computador. Neste momento há um RAID com dois discos, a sincronizar-se.



Referências: How To Set Up Software RAID1 On A Running System (Incl. GRUB2 Configuration) (Debian Squeeze)

January 03, 2012

Chumbem a Proposta de Lei da Cópia Privada!

ANSOL apela a Grupos Parlamentares o chumbo da Proposta de Lei para a Cópia Privada

Lisboa, 3 de Janeiro de 2012 – É discutida amanhã uma Proposta de Lei do Grupo Parlamentar do Partido Socialista no sentido de estender a taxação para a Cópia Privada e criar mais restrições no âmbito do Direito Autoral. A ANSOL, que trabalha nesta matéria há vários anos, inclusive a nível Europeu, sente-se, hoje, obrigada a apelar aos Deputados da Assembleia da República para que chumbem esta Proposta de Lei.

Ao contrário do que a Deputada Gabriela Canavilhas refere à comunicação social nem todas as associações representantes de autores foram ouvidas, em particular a Associação Nacional para o , apesar do compromisso público desta mesma Deputada, enquanto Ministra da Cultura, no passado mês de Maio em ouvir a nossa análise à Proposta de Lei“, diz o Presidente da Direção, Rui Seabra.

A ANSOL critica vários aspetos da apresentação desta PL, onde segundo a sua carta aos Grupos Parlamentares “esta Proposta de Lei foi elaborada tomando em consideração apenas um dos três tipos de partes interessadas nesta questão, segundo análise feita pela Comissão Europeia“. Acrescenta ainda “existir atualmente um calendário a nível Europeu, que se inicia já no início do ano com a negociação entre várias partes interessadas, e que tem como data informal de término durante o Verão de 2012, para debater exatamente este tema, com o objetivo de delinear uma diretiva e homogeneizar as medidas relativas à Cópia Privada no espaço Europeu“.

Segundo esta Associação, a Proposta de Lei apresentada pelo Partido Socialista não entra em consideração com as várias posições conhecidas, nem com todos os estudos e debates que existem sobre o assunto, nem tão pouco se faz acompanhar de um estudo e análise das repercussões da implementação de tal Proposta de Lei, acrescentando que “este tema não tem sido estudado e debatido junto da sociedade civil e em âmbito alargado“.

Segundo Marcos Marado, Vice-Presidente da Direção da ANSOL, “a aprovação desta Proposta de Lei iria criar danos irremediáveis ao tecido cultural Português“. A ANSOL, que se tem mostrado ativa na discussão deste tema a nível Europeu, reagiu fortemente contra esta Proposta de Lei quando ela foi apresentada pela então Ministra da Cultura Gabriela Canavilhas nas instalações da Sociedade Portuguesa de Autores. Segundo o dirigente da ANSOL, “em todos os aspectos em que esta Proposta de Lei toca no Código dos Direitos de Autor e Direitos Conexos, muda as coisas para pior“, e dá exemplos: “pegando na tabela da Proposta de Lei e em preços atualmente praticados no mercado, vemos artigos a aumentar o seu preço em mais de 300%“,  explicando que este é um exemplo que explica o porquê dos fabricantes de hardware estarem a ser ouvidos sobre este mesmo tema a nível Europeu.

A proposta de lei contém ainda provisões que permitem às entidades coletoras cobrar taxas sobre obras licenciadas publicamente com licenças copyleft, coisa que antes estavam proibidas uma vez que isso contrariava os desejos dos autores das obras assim licenciadas.

Rui Seabra afirma que “esta proposta de lei que o PS propõe em nome da SPA e amigos: extorquir, [...] o dinheiro que não conseguem
atualmente

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Marcos Marado Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar – Vice-Presidente da Direção, Tel.
93 101-355-48

Rui Seabra Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar – Presidente da Direção, Tel. 93 32-55-619

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November 12, 2011

Manual de Sobrevivência para Gnome 3

ATENÇÃO: Durante estes passos é conveniente resistir ao impulso de espancar alguém.

Eis como sobreviver (moderadamente) ileso ao Gnome 3:

  1. Encontrar uma forma de chegar a um terminal;

  2. # apt-get install gnome-session-fallback gnome-tweak-tool

  3. Encontrar forma de fazer logout e, no ecrã de login, escolher o modo "GNOME Fallback";

  4. Encontrar forma de executar a "Gnome Tweak Tool", percorrer as opções e tentar escolher as que pareçam menos insanas;

  5. Recuperar a sanidade. Para isto é necessário carregar na tecla Alt enquanto se clica com o botão do lado direito do rato num dos panels e escolher a opção "Remove From Panel" no lixo inútil que povoa os panels e, de seguida, escolher "Add to Panel" e voltar a repor os applets que lá estavam e que ninguém mandou tirar.




Referências:
ao2's blog - Gnome 3: go to Shell? Not just yet, thanks.
Dedoimedo - Gnome 3 - This is the end, it seems

November 09, 2011

Configurando o Varnish no CentOS 6 para múltiplos sites

Abaixo segue um exemplo de configuração do Varnish, para quem trabalha com multiplos sites ou tem outros endereços IP no servidor.

Primeiro altere o VirtualHost para a porta 8080, por exemplo:

<VirtualHost X.X.X.X:8080>
        ServerName www.dominio.com.br
        DocumentRoot /path/
        ---------
</VirtualHost>

No Varnish, crie um novo backend, editando o arquivo /etc/varnish/default.vcl

backend virtualhosts {
  .host = "X.X.X.X";
  .port = "8080";
}

Adicione a vcl_recv:

if (server.ip == "X.X.X.X")
  {
    set req.backend = virtualhosts;
  }
  else
  {
    set req.backend = default;
  }
}

Nos exemplos acima, X.X.X.X é o endereço IP do seu servidor.

November 08, 2011

Fedora 16 (Verne) Lançado!

Hoje foi lançado o Fedora 16 (Verne), e como de costume o novo release trouxe muitas novidades, em destaque tem o Aeolus Conductor que é uma interface web para gerenciamento de instâncias de computação em nuvem.

Abaixo segue uma lista de implementações significativas, a lista completa pode ser obtida na wiki do projeto.

  • GNOME 3.2
  • KDE 4.7
  • Perl 5.14.1
  • GRUB2
  • OpenStack

Também foi lançado oficialmente o Ask Fedora, serviço de perguntas e respostas.

Você pode obter o Fedora 16 em http://fedoraproject.org/pt_BR/get-fedora

October 09, 2011

EVTux: Software livre para Educação Visual e Tecnológica

O EVTux (http://evtux.wordpress.com/) é uma versão costumizada do GNU/Linux Ubuntu criada e distribuída no âmbito do projecto EVTdigital (http://evtdigital.wordpress.com/). É um sistema operativo completo, em português, que pode ser instalado, como único sistema operativo ou paralelamente a outro que já esteja instalado, ou utilizado em Live (não necessita de instalação). Ou seja, é um sistema operativo, em português, pronto a usar, que pretende facilitar o acesso e divulgar diversas aplicações de Software Livre com grande utilidade para o ensino de EVT.

Imagine que insere um DVD ou uma pen USB no seu computador e que, depois de iniciar, tem acesso a um sistema operativo completo, em português, com dezenas de aplicações para edição de vídeo, animação (stopmotion, 3D, 2D e tradicional), edição de imagem, desenho e pintura digital, edição de som, etc. Para além das aplicações instaladas, tem ainda acesso a cerca de 300 manuais em português, partilhados com licença Creative Commons CC BY-NC-SA. Imagine ainda que é livre de copiar, duplicar, distribuir, modificar e instalar esse sistema operativo, que pode instalar em todos os computadores da sua escola e em casa, duplicar e distribuir pelos seus colegas e alunos. Isto é o que o EVTux tem para oferecer. Ainda não tem a certeza se quer instalar? Experimente primeiro, utilize o EVTux em Live (não necessita de instalar nada) e depois decide.

Apesar de ter sido concebido para apoiar professores de EVT, o EVTux pode ser útil a professores de outras áreas e de diversos níveis de ensino.

O EVTux destina-se apenas a fins pedagógicos, não tem qualquer fim comercial nem qualquer afiliação com o Ubuntu (http://www.ubuntu.com/) ou Canonical (http://www.canonical.com/).

Notícias: 

March 03, 2011

Mozilla disponibiliza Beta 12 do Firefox 4.0

A décima segunda beta do Firefox 4.0 foi disponibilizada para download. Os utilizadores que pretendam ajudar a comunidade Mozilla a acelerar o percurso até à versão final, podem fazê-lo através de report e/ou correcção de bugs, ajuda na tradução ou simples feedback.

Como sempre, esta nova Beta vem com melhorias na estabilidade e performance do browser. A mais visível é a visualização de conteúdos em Flash, onde a performance foi largamente melhorada.

A compatibilidade dos plugins foi outra área que recebeu mais atenção durante o período de desenvolvimento. Quando a aceleração por hardware estiver activa, estes irão ter um comportamento mais estável do que nas Betas anteriores.

Outra novidade digna de nota é a mudança do local onde aparece o endereço de uma link quando movem o cursor para cima dela. Em vez de ficar visível na barra de endereço, como acontecia nas Betas anteriores, aparecerá no fundo da janela.

Apesar do Firefox 4.0 Beta 12 ser considerado estável para uso diário, poderá surgir alguma anomalia inesperada. Tendo isto em mente, podem fazer o download aqui.

February 28, 2011

Army Of Awesome: ajuda colaborativa com o selo da Mozilla

army_of_awesome

Da Mozilla surgem muitas e boas ideias. Isto é um facto! Contudo, por vezes, existem algumas que se destacam mais, como a que vou mencionar já abaixo – e que me deixam roído de inveja por não serem minhas, admito desde já.

Aquilo a que me refiro é o Army Of Awesome, uma forma colaborativa de ajuda entre utilizadores do Firefox.

De uma forma muito simples e sucinta, a ideia consiste em ter membros da comunidade e/ou utilizadores do Firefox a responder, no Twitter, a questões que outros membros e/ou utilizadores colocam nesta rede social.

Para colaborar, basta entrar nesta link, carregar no botão onde aparece o texto “Sign in”, autorizar a aplicação no Twitter e responder a qualquer mensagem em que possam ser úteis. Com isto, somente, ajudaram alguém e apenas dispensaram alguns uns segundos do vosso tempo.

Como há questões que são da praxe, estão disponíveis respostas pré-definidas, divididas em várias categorias. É possível editar respostas, caso o achem necessário.

Termino com uma pergunta: Será que o nome tem alguma relação com a personagem Barney Stinson, da série How I Met Your Mother?

February 04, 2011

Ubuntu 11.04 alpha 2

A Canonical disponibilizou a segunda versão alpha das três que estão programadas do Ubuntu 11.04, o qual conta com o nome de código “Natty Narwhal”. Depois da terceira versão alpha ainda será lançada uma versão beta e em seguida uma candidata a release final.
Esta versão alpha tem por base o Kernel de Linux 2.6.38-rc2, inclui também o Unity, o qual foi desenvolvido pelos programadores do Ubuntu para substituir a Shell GNOME. De forma adicional o Unity Lancher encontra-se agora disponível e poderá ser utilizado para lançar aplicações ou trocar entre aplicações activas. Tal como previsto e anunciado o OpenOffice.org da Oracle foi substituído pela versão 3.3.0 do LibreOffice.
Esta versão incorpora já a versão 2.13 do cliente BitTorrent, o Shotwell 0.8.1 e a 10º versão Beta do Firefor 4. O Menu de Som do Ubuntu tem agora novamente suporte para playlists e o One Dashboard tem um novo aspecto visual.
Tal como em todas as versões não oficiais, a utilização em ambientes de produção não é aconselhada, no entanto os utilizadores são encorajados a efectuar testes nos restantes ambientes e a fornecer feedback e a reportar bugs que encontrem no decorrer da utilização.
Informação adicional acerca desta versão poderá ser encontrada através da mailing list ou das notas da release. A lista de alterações planeadas paras as versões futuras do Ubuntu 11.4 estão disponíveis na página do Natty. Esta segunda versão alpha encontra-se disponível para download a partir do site do projecto. Os utilizadores que neste momento estiverem a utilizar o Ubuntu 10.10 poderão efectuar o upgrade através da combinação de teclas Alt+F2 e depois introduzindo o comando “update-manager –d” na linha de comandos.
A versão final do Natty Narwhal é esperada para 28 de Abril de 2011. A última release estável é a 10.10 “Maverick Meerkat”, enquanto que a versão de Suporte Extendido (LTS – Long Term Support) é a versão 10.04 LTS “Lucid Lynx”.

Primeira versão estável do Google Chrome 9

Até agora disponível em versão Beta, o Google lançou agora a versão 9 do Web Browser Chrome, a primeira versão estável. Esta versão já traz o Chrome Web Store para todos os utilizadores nos Estados Unidos e adiciona ainda o suporte para WebGL.
Agora activo por omissão, o WebGL é uma especificação livre baseada em OpenGL ES 2.0 e fornece uma interface de programação de gráficos 3D, é utilizado o elemento canvas do HTML acedido através de interfaces DOM, a gestão automática de memória é fornecida como parte de Javascript, deste modo os browsers conseguem mostrar gráficos 3D acelerados por hardware sem a necessidade de instalar um plugin. Para além disso também passa a estar incluído o suporte para o Google Instant Search, que é o novo mecanismo de pesquisa do Google que permite mostrar os resultados da pesquisa conforme o utilizador introduz os dados.
Esta actualização (9.0.597.84) também apresenta nove melhorias na segurança, entre as quais estão aquelas que foram identificadas por Aki Helin da Oulu University Secure Programming Group (OUSPG), no âmbito do programa Google Vulnerability Reward, Helin recebeu 1000 dólares por cada cada issue encontrado.
Para mais detalhes sobre este lançamento da versão estável do Chrome 9 podem ser encontrados num post do Blog do Google Chrome. Esta versão está disponível para download para Windows, Mac OS X e Linux a partir do site google.com/chrome.
Os users que têm neste momento o Chrome instalado poderão utilizar a função de update através da opção Tools, About Google Chrome e depois seleccionando Update.

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